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Artigos

Demência, uma visão espiritual

Demência natural

Quando chega a hora da morte, o espírito do homem sai do corpo lentamente de forma natural. O processo de saída do espírito do corpo começa a maior parte das vezes uns nove meses antes da morte natural. Com isto consegue-se uma transição gradual para as esferas. Assim, o homem estará cada vez menos “presente” na vida e permanecerá já cada vez mais com o seu espírito nas esferas. Desta forma pode acostumar-se suavemente. Diz-se então à sua volta: “O meu pai, ou a minha mãe agora está a ficar demente”. Contudo, tal é uma forma natural de demência que corresponde à vida.

A estrutura do espírito

O espírito consiste em muitas camadas de consciência. Dependendo do nível de consciência que o homem desenvolveu na sua vida, tem “conexão” com estas camadas. Tal quer dizer que então desceram à sua consciência diária, podendo fazer uso da informação dessas camadas de consciência. No transcurso da sua vida o homem torna-se cada vez mais consciente. Através do crescimento da sua consciência  activar-se-ão no seu espírito cada vez mais camadas de consciência. Desta maneira o homem actuará de acordo com o sentido da sua vida: torna-se consciente de que a vida tem um significado e começará a compreender cada vez mais o grande mistério da mesma.

 

Quando finalmente chega ao homem a hora de morrer, terá que soltar do seu corpo tantas camadas de consciência quantas desenvolveu na sua vida e integrou na sua consciência diária. Apenas, assim, pode ir para as esferas para, com a sua consciência expandida, começar a rever a sua vida e dar-lhe uma nova orientação. Numa próxima vida poderá trazer consigo para a terra como bagagem (capital inicial) as já desenvolvidas camadas de consciência para com elas começar a sua nova viagem na vida.

 

Dá-se com isto algum conhecimento sobre o processo natural de viver e morrer.

Demência não-natural

Porém, quando o espírito do homem começa a abandonar o corpo sem ter chegado a sua hora de morrer, o homem tornar-se também demente. Neste caso não se pode falar de um mecanismo natural que forma parte do processo da morte. Como consequência a sua demência tomará formas muito mais sérias que no caso de morte natural e durará muito mais tempo, porque o tempo que tem que estar na terra ainda não transcorreu, ainda não foi chamado. Soltará muitas mais camadas de consciência do que era a intenção e o processo de demência chegará mais longe do que numa transição natural. O seu tecido espiritual, o seu espírito, que está completamente construído de consciência, pode desintegrar-se completamente neste processo. E, porque o espírito alimenta o corpo, a degeneração do seu corpo será finalmente completa.

 

Esta forma de demência - demência ocasionada pela retirada prematura do espírito do corpo – é temida em todas as partes. Se esta começar quando a pessoa é jovem, a qual resultará num processo de demência duradouro, a desintegração do espírito será completa e, portanto, a degeneração do corpo será total. Portanto, está na hora de começarmos a perguntar-nos qual é a causa desta forma não-natural de demência. Depois de tudo queremos é evitá-la.

Não ter vontade de viver

A retirada prematura do espírito do corpo é causada, a maioria das vezes, pelo facto de que o homem realmente já não tem vontade de viver. Por exemplo por uma perdida séria, como a perda do companheiro, pode fazer com que uma pessoa perca a motivação da vida e desejar seriamente querer partir também. Outras pessoas, por causa dos muitos acontecimentos que ocorrem nas suas vidas, ficam decepcionadas com a vida de tal maneira que perdem a confiança nela e realmente não têm vontade de seguir em frente. Muitos reformados perdem o interesse na vida porque a sua vida de trabalho acabou e sentem que a vida não tem mais nada interessante para lhes oferecer. Não esqueçamos a categoria daqueles que estão cronicamente doentes ou que estão limitados nas suas capacidades físicas, sendo difícil manter a vontade de viver. Podemos imaginar muitas situações através das quais o homem, consciente ou inconscientemente, prefere realmente distanciar-se da vida.

Não ver o sentido da vida

Uma causa importante do aumento da demência é que cada vez mais pessoas já não vêem o objectivo da vida, parecendo tudo não ter sentido. Devido à secularização da sociedade ocidental, as igrejas oferecem agora muito pouco apoio ao homem ocidental. Aparentemente, o conceito do Além perdeu a sua magia, dando às pessoas de idade pouca esperança para o futuro. Com certeza muitos procuram encontrar um  sentido espiritual novo e também já se corteja a ideia de reencarnação, mas para a maior parte das pessoas estão tão ocupadas em procurar que carecem de uma base sólida onde se possam apoiar. Outros simplesmente esqueceram-se de procurar. Apenas uma pequena percentagem de pessoas sente uma âncora verdadeiramente espiritual dentro delas mesmas. Em resumo, para as pessoas do ocidente que vão envelhecendo existe pouco em que se possam apoiar, já que não esperam muito da sua vida na terra e, por conseguinte, perdem o interesse na mesma.

 

Quando o homem tem cada vez menos interesse na vida ou não pode ver o seu  sentido ignorará a sua vida inconscientemente ou tentará fugir dela. Naturalmente pode ocupar (adormecer) o seu espírito vendo televisão, mas a única maneira de poder fugir verdadeiramente é estar cada vez menos “presente” na vida retirando o espírito do corpo. Retirando o espírito do corpo, a realidade da vida penetrará cada vez menos. Uma pessoa, que sente que tudo o que viveu já é suficiente, pode desta maneira inconsciente despedir-se da vida prematuramente.

 

Sonia

(15 de Outubro de 1946 – 11 de Janeiro de 2009)
A sua vida foi dar aos outros

 

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